Há pouco mais de dois meses e meio eu perdi um grande amor. Aquele que eu não tive tempo de conhecer direito, mas tive a oportunidade de gerar e ouvir, pelo menos por uma vez, aquele coraçãozinho minúsculo bater.
Esses dias tenho andado mais sensível a este assunto. Penso como estaria o tamanho da minha barriga, qual o sexo e que nome teríamos escolhido. Fico pensando em como a Bia estaria animada, ou se estaria muito ciumenta.
São tantos 'e se...' que nunca terão respostas.
E quando vejo gestantes e suas barrigas crescendo na minha frente, dói. É a dor de uma saudade do que eu não tive, ou do que eu perdi. É uma dor que invade o peito e as vezes nem conseguimos transformar em lágrimas, porque parece que já secaram. Dá vontade de fugir.
O luto nunca vai passar. Nunca! Mas a verdade é que precisamos seguir em frente, por nós, pelo bebê que perdemos, pelos filhos que temos, por nossas famílias.
Isso não nos impedirá de sentir, de chorar, de lembrar. Mas nos fortalecerá.
O aborto retido me fez ver que não sou eu quem estou comando e meu tempo não é, necessariamente, o tempo de Deus. Mas ao mesmo tempo me mostra a força e amadurecimento que eu não sabia que existiam dentro de mim!
E o que eu digo pra você, que também passa por esse luto, é que você é forte e sabe que as respostas para todos nossos 'por quês' estão em nós mesmas. Tudo o que passamos nas nossas vidas tem um significado e um motivo, cabe a nós entendermos o que aprender com cada obstáculo que temos que superar.
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