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quarta-feira, 29 de março de 2017

Mãe de primeira viagem, vamos conversar sobre medo


Muitas amigas vêm me contar sobre o medo que surge quando a hora do parto vai se aproximando. 

Vamos ser sinceras: ninguém nasce sabendo! Ser mãe também não é algo que você vai sair fazendo antes de ter os seus filhos. Você pode ter o dom, a vontade, ser tia, madrinha ou até professora, mas quando chega sua a hora de ser mãe bate medo, insegurança e até (porque não?) um desespero!

Calma! Senta aí, respira fundo e apenas leia!

Você não sabe ser mãe. Ainda! E não tem manual que vá te ensinar como ser uma antes de parir. Então é normal ter medo do que é novo!

Mas te digo com uma certeza absoluta: assim que você parir, uma chavinha chamada MÃE dentro de você vai virar e aí seu instinto materno vai te mostrar que você nasceu para isso!

E fique firme se, quando nascer, você não amá-lo logo de cara! Não se sinta mal! Talvez demore um pouco para você reconhecer aquele ser, que embora tenha ficado tanto tempo no seu ventre, não deixa de ser uma pessoa estranha, nova! 

Mais uma vez, a novidade nos assusta. E é normal

E mesmo que você não reconheça aquele ser minúsculo logo de início e tudo pareça muito amedrontador (ou estranho), acredite: o amor vai bater quando você menos esperar (e não vai demorar) e é aí que você sentirá seu peito explodir com um sentimento que parece não caber dentro do seu coração! Talvez vire lágrimas ou sorrisos largos ou vontade de ficar só olhando. Independente da forma que for, vai ser emocionante!

E cada mulher é uma! Nunca se compare com outra mãe!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Me ensina a não andar com os pés no chão...

E meu jardim ficou muito mais colorido...

Depois de mais de um mês sem aparecer por aqui, volto para relatar a minha história de parto. Nasceu a Beatriz!

No final de outubro saí de férias. Pudera, com o barrigão de nove meses já estava pesado demais ir diariamente para São Paulo, pegar ônibus, metrô e já sem posição para sentar.

Descansei bastante e não tinha muita força pra fazer todas as coisas da maternidade que estavam pendentes.

No dia 11 de novembro acordo pela manhã, faço meu xixi matinal, tomo um café da manhã devorando o meu único desejo gestacional, um chocotone, e volto pra cama pra mais uma soneca. Eis que me deparo com um pijama molhado! "Ué, mas eu já fiz xixi!!!!"

Segundos depois a tremedeira. "Será que é a bolsa???" Corro pro banheiro e nada de água. "Acho que não é nada!". De qualquer maneira, achei por bem deixar alguém avisado. Aí que começou meu desespero. Não queria deixar o Luís, que estava em Campinas, nervoso, por isso resolvi deixar meus pais cientes do que me acontecera. E nada deles atenderem. Poxa, meu pai NUNCA fica sem o celular... 

Ligo, ligo, sem sucesso. Aí o que eu estava 'tranquila' se tornou um pesadelo. "E se for alguma coisa?????" Ligo novamente no celular da minha mãe e a minha cunhada atende. Poxa, eu sei que minha mãe não usa celular nas horas que mais preciso, mas justo agora!?!?! Resolvi desabafar com ela mesmo.

- Anna, estou chorando e um pouco nervosa, mas tá tudo bem. É que saiu uma água e eu to meu sem saber o que fazer. Eu acho que foi o tampão.

- Vou chamar seu irmão e ele te leva no hospital. É melhor tirar a dúvida.

Ela tinha razão, mas não queria alarde sem necessidade. Resolvi não ir ao PS até um minuto depois de ligar pro Luís e ser OBRIGADA a ligar pra minha médica, que orientou ir ao hospital apenas para certificar de que estava tudo bem.

Era o tampão e a dilatação já começara em 1 cm.

...

Foi uma semana de repouso e muita correria! As lembrancinhas da maternidade não estavam prontas e as nossas malas menos ainda! (Aliás, motivos de muitas angústias no dia 11). Corremos pra deixar tudo certinho pro grande dia.

Eu conversava muito com a Beatriz, pra ela aguentar mais umas duas semanas. Mas realmente, coração de mãe não se engana. Eu sabia que ela já estava cansada daquele aperto todo.

...

Na quarta a noite recebo um e-mail da minha G.O. pedindo pra eu fazer uma ultrassonografia de urgência na quinta. Confesso que apavorei.

Aquela angústia toda só sumiu no dia seguinte, depois do exame que provou que estava tudo bem com minha princesa.

...

No final de semana, dia 16, comecei a sentir uma dor muito forte no quadril direito, que me levou novamente ao PS. Tava tudo igual, a não ser que o colo do útero estava afinando. Com os comentários das médicas que me atenderam, sabia que logo eu voltaria ali para parir. Minha sorte foi o Buscopan que me aliviou as dores.

...

No domingo fiquei de cama... com dores no quadril e cansada.

...

Já na segunda estava bem. Cansada, pesada, mas me sentindo melhor. Fui pra casa dos meus pais e a noite o Luís passaria para me pegar. Até que...

Até que no fim do dia começo a ter umas dores 'esquisitas'. Ia no banheiro, mas não era dor de barriga. Não sei porque cargas d'água resolvi contar o tempo entre uma dor e outra. Não pensava que pudessem ser contrações, juro!

Vinte minutos! Eram mais de 19hrs e o Luís me liga pra descer e irmos pra casa, mas com dores de vinte em vinte minutos eu não ia ter condições. "Luís, sobe!" E ele liga pra minha médica, uma vez que as dores já me faziam apertar o sofá da sala devido a força com que estavam aparecendo.

- Vai pro hospital, já vou ligar lá pra te atenderem, assim que terminar me liga que eu vou pra lá!

- Dá tempo de tomar um banho? - sim, esta foi uma grande preocupação minha!

- Faz tudo com calma... pegue os  resultados dos exames e levem as malas!

Mas quando cheguei em casa, as dores eram mais intensas e o tempo menor.

E eu gemia, mas ainda suportava aquilo. 

Já na saída do prédio, uma dúvida: "Lu, pegou a máquina?" - ele não tinha pego!

Eu ainda não me dava conta de que era aquela a hora, por que eu tava tão certa que era aquela hora? Eu que não sabia como saberia que a hora era a certa!!!! Ainda assim, rezei um Pai Nosso e uma Ave Maria. Sabia que Eles estavam comigo!

No hospital as forças começaram a diminuir, depois de um bom tempo, enfermeiras começaram a me monitorar!

- Vamos contar suas contrações. Quando começar me avisa. Agora? OK... Uma contração a cada 2m30, duração de 30s. É, você está em trabalho de parto! Quando o médico (que estava atendendo uma emergência) voltar, te examina.

Demorou dias pra mim, nos meus contorcionismos de dor. Ele apareceu, fez o toque: 3cm! As palavras seguintes foram: internação, quarto, chamar sua médica, ligar pro centro de coleta de célula tronco.

No quarto, peço pra minha mãe ligar a TV, era dia de desmascarar o Félix e, quem sabe assim, eu me distraía... Já tinha passado das 22hrs, já acabou a novela! Poxa! O tempo tá voando muito ou eu que perdi a noção dele???

A partir daí, foi muita dor. Muita dor mesmo!!!! Gritos, gemidos, choros, ais e uis pra todo lado. Pessoas me mandando ficar calma e eu querendo berrar o mais alto possível. Meu medo não era a dor, meu medo era aquela dor durar por inúmeras horas. 

Veio a ocitocina. Neguei. Quanto tempo vou ficar aqui??? 

- Doutora, tira ela, pode abrir!!!! 

- Lívia, conversamos tanto sobre o parto normal e tudo indica que você pode ser assim. 

- Cade o Luís? Vou discutir com ele.

Ele me deixou a vontade pra decidir! 

E foi a médica que me mostrou que eu tinha capacidade de parir normalmente. Se ela confiava em mim, eu também podia fazer o mesmo.

Então manda ocitocina: 6cm. Estoura a bolsa. Sinto fazer um puta xixi na cama, mas tinha uma bacia embaixo. Não doeu. As contrações sim. Mas eu era capaz. Só queria muito que chegassem logo os 8cm pra tomar anestesia.

Hora de ir pro centro cirúrgico. Cade a anestesia? Dói, mas tá dilatando! Quase 9cm!! Aleluia, tomei anestesia! Não sinto nada! Agora podemos fazer qualquer coisa! Agora dou conta.

- Faz força!

- Cade o Luís?

Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr... força, força....

- Descansa... outra contração, faz força!

- Cadê o Luís???

- Chama o Luís!!

Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr... força, força...

Depois de muitos "faz força" e "chama o Luís", ele chegou e eu fiz mais e mais força... por longos minutos... e depois de 40 vejo preocupação nos rostos. E eu lá, firme, esperando minha menina chegar. Eu sabia que ia dar tudo certo! 

O aparelho de escutar o coração do bebê já não estava nos dando o retorno esperado. O tum tum forte da Beatriz quase não era audível... As contrações começaram a diminuir...

- Vamos ter que operar.

- Doutora, o que for preciso pro bem da minha filha. Ela é prioridade. Eu não tenho medo de nada!

Minha calma somada a do Luís eram de fazer inveja. Só entristeci por não poder ver a cirurgia.

Depois disso, tudo passou muito rápido. Colocaram o Luís sentado e ele disse que queria ver. "Levanta, olha!! Aproveita que você consegue!"

E foi depois de tudo isso, e muito esforço, que ouço aquele chorinho. O momento mais esperado de toda a gestação. 

Já era dia 19/11, 0h53, com seus 2,775kg e seus pequeninos 46,5cm, meu mundo mudou, minha vida floriu, meu coração disparou e já não era mais meu. O amor transbordou...

Foi assim que pari. De cesárea, com apenas 37 semanas, sem me despedir da barriga, sem sentir a bolsa estourar, sem saber como ia acontecer e, no final, como disse o Luís, dando a luz praticamente das duas formas. Foi tudo muito rápido! As horas passaram voando e foi tudo tão surreal que não conseguimos avisar ninguém!

Mas de tudo valeu. Faria tudo de novo. E vêm noites sem dormir, cólicas, dores, cansaços, mas é o amor da minha vida, o motivo da minha existência. Aquela máxima de "como eu vivi antes de Beatriz???" É verdade... não consigo lembrar da minha vida sem minha filha.


"Sim, me leva para sempre Beatriz

Me ensina a não andar com os pés no chão,

Para sempre é sempre por um triz

Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz"
(Beatriz, Milton Nascimento)


Ah! Faltou um detalhe importantíssimo no final da cirurgia! Depois de muito tempo dando os pontos nas sete camadas da cesárea, ouço uma 'conversa' entre médicos e enfermeira. A contagem das gazes não batiam! Minha médica firmou mil vezes que não tinha ficado nada em mim! Eu pensava: "caracas, não to acreditando que vão me abrir de novo!!!!!!!!!" Meu braço estava dolorido e eu queria sair logo dali pra pegar minha cria!!! Contaram uma, duas, várias vezes e não batia!!! Aí descobriram que a moça que coletou o cordão umbilical usou uma e jogou no lixo, com o sangue e tudo! Por isso ninguém achava! Só digo uma coisa: "UFA!!!!!!!!"

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida que a gente vai passar



Pensei neste post esses dias, mas tinha decidido deixá-lo para escrevê-lo mais para frente. Só que vi esta frase da Mariana Ferrão, do Bem Estar, no mesmo dia e achei que isso era um sinal.

Desde que eu anunciei a gravidez ouço o tempo todo opiniões de como devo fazer o parto. 

Quem é a favor do normal (ou até natural) faz questão de fortalecer a importância deste tipo de nascimento, destacando as problemáticas de fazer uma cirurgia.

Para ser sincera, a única coisa que eu não descarto é o uso de anestesia, uma vez que ela existe, para que deixar pra lá? Quem teve pedra no rim - como eu - sabe que a dor é muito grande, a ponto de provocar queda de pressão. Portanto, parto natural está, a princípio, descartado da minha programação.

As que nunca pensaram em outro tipo a não ser cesárea dizem o quanto a dor é insuportável, o quanto é difícil, sofrido. Acham até melhor marcar a data do parto semanas ou até meses antes de saber como realmente seu bebê estará no dia!

Fato é que eu penso exatamente como a Mariana Ferrão! Não dá para ficar na neura de um jeito ou outro. O foco deve ser a saúde da mãe e do bebê. Não existiria parto normal ou natural se a mulher não fosse capaz, bem como não inventariam a cesárea se não fosse para ser uma espécie de plano B.

Os dois servem para trazer seu filho ao mundo.

A mulher que encana com um tipo específico de parto fica tão fissurada que, caso tenha que optar na hora pelo outro, acaba tendo com muito mais medo, ficando muito mais nervosa e também bastante frustrada.

O melhor é o que for bom para o bebê. É ele, em parceria com o médico, que vão decidir o que será necessário fazer. Por isso é importante ter confiança em quem vai fazer seu bebê vir ao mundo.

Conversando sobre isso com a minha ginecologista na última consulta, comentei que não tenho medo de nenhum tipo de parto, que quero estar preparada para o que vier. Ela comentou de uma gestante que estava com 41 semanas e que queria continuar esperando, até que o marido confessou: "Minha esposa tem medo do parto normal e da cesárea!". Como faz!?! 

Por isso é necessário conversar muito, refletir bem e, de preferência, não ficar procurando os problemas em cada tipo de parto. E sim soluções! E não permitir que isso seja uma neura, nem deixar que as pessoas façam a sua cabeça, porque no dia só vai ser pior pra você e pra sua ansiedade.

Cada um deve ter sua consciência, sua vontade, mas nada de impor isso às outras mamães. Cada uma com sua escolha. Minha sugestão é ter sempre a mente aberta.

Que Deus me conserve com este pensamento de estar preparada para o que for preciso.

O portal Bebê.com.br publicou um tira-dúvidas muito bacana! Veja em 60 perguntas e respostas sobre o parto.

E o Hospital Israelita Albert Einstein publicou um vídeo explicativo bem interessante sobre o assunto! 


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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

That may be all I need In darkness she is all I see

Durante o mês de agosto minhas segundas-feiras foram forradas de informações sobre esta fase que estou vivendo.

Eu e o Luís, desde o começo, concordamos em fazer juntos o curso de gestante. Eu tenho muita sorte dele ser parceiro em tudo nesta gestação!!! 

O Hospital Pitangueiras/Grupo Sobam, que vamos ter a Beatriz, disponibilizou o curso de forma gratuita para nós que temos o plano de saúde (não sei como funciona para quem não tem, mas vale a pena dar uma pesquisada). 

Além dos milhares de ensinamentos, fiquei impressionada com a quantidade de coisas que a gente 'acha' que sabe, mas não tem ideia...

O curso foi dividido em quatro módulos, que são os quatro trimestres da gestação:

O primeiro foi sobre todo o processo de fecundação e a primeira fase da gravidez. Após a apresentação de todas as futuras mamães, a psicóloga Eliana mostrou um vídeo interessante sobre todas as etapas que já passamos, estamos vivendo e ainda vamos presenciar. É lindo e emocionante!

No segundo dia conversamos sobre o parto, tipos, prós, contras. A enfermeira Ana explicou tudo, onde corta, porque corta, as diferentes anestesias. Foi muito interessante saber como funcionam os dois processos - normal e cesárea.

O terceiro módulo foi dedicado a alimentação da gestante e do bebê. Uma nutricionista orientou sobre o que pode, o que deve ser evitado, como substituir alimentos, a importância de cada um deles. Depois a Ana falou sobre a amamentação e deu dicas preciosas. 

O último dia conversamos sobre os cuidados com o bebê no banho. A Ana também explicou o passo a passo dessa hora que deve ser o terror de todo casal. Como a gente consegue dar banho num bebê molinho? É meio aterrorizante, mas foi tudo tão bem orientado que dá uma tranquilidade maior e uma certeza de que tudo vai dar certo.

Apenas duas coisas que pesou pra mim. A principal foi a divisão em dias. Poderia ser tudo feito num sábado ou domingo, porque é cansativo de uma vez só e não em quatro dias. Fora que pra gente que trabalha em cidades diferentes acaba pesando ainda mais. Outra coisa é a exibição dos slides, numa televisão relativamente pequena para a quantidade de informação dada.

Mas fora isso foi muito bom participar desse curso. Não to contando os macetes porque acho importante as grávidas e seus companheiros terem a oportunidade de vivenciar isso. 

Queria também parabenizar a equipe da Sobam pelos profissionais responsáveis pelo curso. São pessoas ótimas e que nos orientam de forma simples, objetiva e clara.

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