quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Love never felt so good...

 Fiquei afastada por uns meses. Correrias, falta de atenção, mas muito assunto borbulhando durante todo este tempo. De coração, espero que não precise mais ficar meses sem um post!

Mas é que, vocês sabem, este ano foi uma mistura de paixão e dor. Dor das perdas, das crises, de doenças que nos cercaram em 2014. Paixão por ver aquele pinguinho de gente que passou nove meses crescendo dentro de mim se transformando de bebê em uma menininha linda e esperta!

Eu descobri que não sou mais a mesma desde 19 de novembro de 2013.
É que ela chegou assim, na hora que ELA quis, do jeito que ELA quis, só me fazendo aceitar cada passo seu.

Eu já sabia que teria uma filha de personalidade forte, mas não imaginava o que você seria capaz de fazer comigo!

Aliás, foi tudo culpa sua!!!

Culpada por me fazer enlouquecer!
Culpada por mudar completamente meu mundo!
Culpada por me tirar um sorriso às 5h da manhã!
Culpada por todas as minhas noites mal dormidas!
Culpada por me fazer chorar muito mais do que antes!
Culpada por me fazer uma mulher melhor!
Culpada por me fazer perder a memória, a concentração, a CABEÇA!
Culpada por me fazer falar sim para todos os nãos e também culpada por me fazer falar não para os antigos sim!
Culpada por me fazer de boba da corte só pra arrancar um sorriso banguela!
Culpada por me obrigar a decorar todas as músicas infantis, criar coreografia e ainda ficar cantando durante o meu banho, porque já não me lembro de nenhuma música do 'meu' repertório!
Culpada por me proporcionar ver dois avós babões dispensando seus tempos para se dedicar a você!
Culpada por me tirar da ordem, tirar nossa casa da ordem, tirar a casa dos seus avós da ordem, e tudo isso se tornar deliciosamente divertido!
Culpada por me fazer sentir um amor que transborda e eu quase sempre penso que meu coração vai explodir, tão intenso é este sentimento! 
Culpada por me fazer a mãe mais feliz deste universo!!!

Um ano e foi tempo suficiente para uma avalanche me tomar por inteira, destruindo conceitos e preconceitos, derrubando planejamentos, deixando pra trás uma vida... ué, eu tinha vida antes?

Não! Pelo menos não me lembro do que eu era antes de ser mãe. 

Se não fosse por você, não teria a oportunidade de ser uma pessoa melhor e tentar enxergar o mundo com outros olhos. 

Confesso que muitas vezes tenho pavor e as notícias ruins ficam mil vezes pior quando penso "poderia ser com minha filha". A dor aumenta e a indignação também... tem horas que penso "eu mataria e morreria por ela".

Mas minha vida contigo é tão maravilhosa! Cansativa, mas não troco por nada no mundo! Porque você, em um ano, só me prova como é bom ser mãe, como é bom ser SUA mãe. 

E foi por sua culpa - viu como você é sempre a culpada? - que eu descobri porque vim para este mundo: foi pra te conhecer, te criar e te fazer a pessoa mais feliz. E eu espero, com a ajuda de Deus e com fé Nele, conseguir retribuir toda alegria que você me dá.

Obrigada pelo ano mais fantástico da minha vida.


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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Na vida você ganha, cê perde, meu filho. Faz parte.


A Copa do Mundo de 2014 era uma grande expectativa para nós, cidadãos brasileiros.

Para mim, que tive o prazer de ver em 1994 uma equipe unida, com garra e a dupla Bebeto e Romário. Depois a derrota na França para, em 2002, acordar de madrugada para acompanhar a conquista do Penta.

Ontem o Brasil perdeu da Alemanha com um resultado esperado, mas com um placar vergonhoso. No segundo tempo, já muito sem vontade de acompanhar, pensei nos meus onze anos e a conquista do Tetra. Meu pai me levando na 9 de Julho - aqui em Jundiaí - onde os brasileiros comemoravam, com bandeiras, gritos e muitos sorrisos no rosto.

Este ano, mesmo com a conquista do campeonato, Bia não entenderia. Aos quase oito meses ela não gosta do barulho chato das cornetas, se assusta com os fogos de artifícios. Quando comemoramos um gol ela bate palmas, mas não sabe ainda o que é um gol, nem futebol, muito menos porque estamos todos de amarelo.

Para Beatriz, essa derrota não significa nada, nem vai. Uma vitória não faria sentido nenhum também. Mas ela precisa saber que ganhar é bom, mas perder é o que faz crescer.

Seja no esporte, seja nos estudos, ou em qualquer situação da vida, o valor de um segundo, terceiro ou último lugar devem ser respeitados para que haja aprendizado, sabedoria. Ganhar é a glória de muito estudo, concentração e esforço. Se não foi tão bem como se esperava, é preciso fazer mais, sem bitolar, sem ficar neurótico.


Quero ensinar a Bia que competir é importante, ganhar é maravilhoso, mas aprender a perder é uma responsabilidade! Espero que os pais de hoje ensinem isso para os seus filhos. Que isso não valha apenas para um mundial de futebol, mas para tudo. 

E que aprendamos com os países que vieram nos visitar a termos educação, respeito e amor ao nosso Brasil, que o que nos faz ser mais ou menos brasileiros não é o esporte! Se você nasceu aqui e fala tão mal, olha pro seu umbigo e veja onde você pode melhorar.

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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Só quero saber do que pode dar certo...

"Eu não sei ser mãe, não sei nem cuidar de mim, quanto mais de um ser tão pequeno e que é totalmente dependente pra se alimentar, se vestir, dormir, tomar banho..."

Eu refletia muito isso quando o instinto materno começou a bater na minha porta. Queria muito ser mãe, mas tinha uma imensa preocupação quanto ao como eu seria.

Engravidei, passei por uma gravidez com os altos e baixos (leia alguns dos altos aqui, aqui e aqui, e dos baixos aqui e aqui), mas na média foi um período muito gostoso. 

Quando estava próxima de conhecer a minha Beatriz, não bateu medo, nem ansiedade. Acho que mais porque não deu tempo mesmo, já que ela chegou duas semanas antes do previsto.

Mãe não nasce pronta. Antes de sermos mães, não lemos cartilhas, não somos treinadas, não surge do nada. Nem poderia! Não adiantaria de nada. Aliás, sou muito mais da experiência do que do literalismo.

Tentei ler livros e pesquisar os porquês das coisas e aquilo me deixava mais enlouquecida ainda.

Agora, ali, no momento do parto, quando aquele ser tão minúsculo sai de dentro de você (aqui faço um adendo - pra mim, quando se adota uma criança, a mulher também 'dá a luz', o amor é o mesmo), surge uma nova mulher. Uma nova mulher não, é ali que surge a mãe que você até então desconhecia.

A partir dali você já sabe pegar no colo como nunca imaginou. Trocar fraldas não parece um quebra-cabeça de duas mil peças. Dar banho é um momento prazeroso. Amamentar é revigorante, mesmo que seja deveras cansativo. 

É o momento mágico onde uma chave liga e muda todo seu mundo. Passa a ser uma leoa, capaz de proteger e cuidar daquele bebê de forma excepcional, de forma materna.

Quando minha melhor amiga, a Mari, prestes a ter a Nina, minha afilhada, comentou comigo sobre sua dúvida, se estava preparada para ser mãe, eu pensei: hoje não. Mas na hora certa, daqui a pouquinho, vai surgir em você uma outra pessoa e, esta sim, estará preparada. Me lembro que falei mais ou menos assim:

"Mari, quando a Nina nascer, com ela vai nascer uma nova Mari, que agora você talvez desconheça, mas que vai saber ser a mãe ideal para ela!" - Acho que hoje ela pode até me dizer se acertei ou não.

E não acha que isso quer dizer que logo de cara você vai entender todos os motivos de choro ou angústia! Até hoje, depois de sete meses, quando me perguntam porque Bia chora, tem horas que eu digo: 'eu não sei!'

Mas a verdade é que depois de um tempo a gente sabe o motivo da maioria daquelas lágrimas e consegue resolver aquele desespero bem rapidinho. Quando não se encontra motivos, um abraço, palavras calmas, respiração tranquila e muita paciência! Aliás, paciência será seu sobrenome.

Esses dias olhei para Bia e falei: "O que eu tenho pra te ensinar se é com você que estou aprendendo a cada dia?"

E no fim, tudo dará certo! Mãe que é mãe sabe ser mãe!

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Você tem fome de quê?


Introduzir alimentos na rotina do bebê é muito delicado. Principalmente porque ele só está acostumado com leite, seja materno ou artificial.

Beatriz só mamou no peito. Quando oferecia mamadeira, mesmo que com o meu leite, era uma recusa sem sequer saber do que se tratava. Aquele gosto de borracha, aquela textura diferente, não era o que ela estava esperando. Não tinha o aconchego, não tinha o cheiro. Por isso fiquei refém da amamentação por seis meses, sem chance de sair por muito tempo sem ela.

Porém Bia não engordava. Sim, ela crescia, fazia xixi e cocô, estava ativa e esperta. Talvez um refluxo oculto ou mesmo seu biotipo a fizeram andar na linha vermelha do peso, mas nunca foi uma grande preocupação da pediatra.

Só que precisávamos saber o que estava acontecendo. Eis que damos início, aos três meses, à introdução de suco de laranja lima e, quinze dias depois, frutinhas bem docinhas: pera, banana prata e mamão papaia. 

Fiquei apreensiva em dar mamadeira. Poxa, se ela já não tomava o leite, que ela conhecia, imagina beber algo estranho numa coisa estranha? Segundo a médica, a chance dela aceitar melhor a mamadeira com outro alimento que não o leite é grande. Dito e feito! Depois de uns dias de tentativas, ela pegou a mamadeira e adorou o suco.

Com as frutas nunca rolou sequer uma careta! Ela aceitou todas numa boa! Depois ofereci maçã e caqui (com aprovação médica) e mais uma vez adorou! Tomara que ela seja mais 'frutífera' que a mãe!

Sucos também ela gostou de tudo. Melão, melancia, laranja lima com mamão, pera, manga. Só a de maçã que ela não encarou tão bem, mas não cheguei a uma segunda tentativa pra confirmar.

Quando ela tinha completado cinco meses era hora de iniciar as papinhas salgadas. Confesso que fiquei desesperada, uma por ter que fazer, outra por ter que encarar a insistência da introdução alimentar.

Sério, mais de uma semana de tentativas, choros (meu e dela), desespero, comida jogada fora, põe isso, tira aquilo, faz assim, faz assado. Até que ela começou a entender pra que funciona aquilo. Foi aceitando melhor depois da segunda semana e hoje, mais de um mês depois, come tudo, sem fazer nenhuma careta, sem desprezar nenhum alimento. 

Faço a comidinha com o maior carinho do mundo e, quando não posso fazer, a secretária da minha mãe faz da mesma forma. 

Minhas dicas que funcionaram com a Bia:

Divido os alimentos em duas panelas e em cada uma coloco:
- dois ou três tipos de legumes, tento deixar o mais colorido;
- uma carne (músculo ou frango)
- uma folha, não pico nem corto, deixo pedaços bem grandes (espinafre, couve, ainda não coloquei as mais amargas por um pouquinho de medo)
- uma pitadinha de sal
- um carboidrato (macarrão tipo cabelinho de anjo, aquele bem fininho, ou arroz bem empapado, pra amassar)

Deixo cozinhar tudo por um bom tempo, para deixar bem molinho e fácil de amassar. Hoje, com sete meses, ela come quatro colheres de sopa bem cheia e depois uma fruta de sobremesa. Lembrando que tudo foi orientado e autorizado pela pediatra dela.

Faço vários potinhos e deixo congelada. Geralmente dá pra quatro ou cinco dias, ou seja, são de oito a dez papinhas, considerando almoço e jantar.

Quando comecei a dar comidinha, a Beatriz ainda não tinha dentinho, então tem que ser tudo muito bem amassadinho, uma papinha mesmo, senão ela engasga (e as vezes é meio desesperador quando acontece). Tiro as folhas e as carnes, cozinho junto só pra dar o gosto no caldinho, pelo menos por enquanto.


No começo, eu dava até mais aguadinho, uma sopinha, para ela sentir mais o gosto do que a textura, depois fui deixando um pouco mais compacta e cremosa. Assim ela exercita a mastigação (e é muito lindinho)

Hoje ela come bem e de tudo. Testei várias combinações e ela come bem. 

O ideal é ter paciência. Parece que o bebê nunca vai comer, dá um desespero no começo, mas não pode desistir. Assim como para ele, pra você também é tudo novo e, por isso, o acostumar com a novidade as vezes demora um pouco. 

Depois de um mês no novo mundo, Bia continua engordando pouco, mas já sinto nos braços que a mocinha tá ficando fortinha. Ela é bem alimentada, muito amada! Então não há, ainda, motivos maiores para desespero!

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terça-feira, 17 de junho de 2014

O mundo dá voltas...

Minha licença-maternidade chegou ao fim um pouco antes do previsto. Voltar para São Paulo estava me atormentando a cabeça. Antes que eu pudesse me decidir sobre o que fazer da vida pós-sete meses, me apareceu uma oportunidade legal, com pessoas bacanas e que me deram a opção de não precisar pensar em mais nada.

Quer dizer, pensar eu sempre vou, só que desta vez minhas dúvidas seriam outras. Talvez decisões ainda mais difíceis a serem tomadas.

E agora? O que fazer com a Beatriz?

Confesso que fiquei bem mal sem saber que rumo tomar. Tive várias opções, mas quando é com a nossa cria, parece que nada tá bom! 

A primeira decisão: ficar com meus pais ou por no berçário?

Difícil, porque Bia é muito boazinha, aprendeu a comer papinha, toma suquinho, come frutinha. Até agora ela não rejeitou nenhum alimento. (Claro que todo início é difícil e minha filha só aceitou papinha salgada depois de muita persistência). Mas quando esta menina quer causar, ela consegue. Seu choro ardido (seja sono, fome, fralda suja) leva um tempo para cessar e requer paciência, porque ela se joga, tira a chupeta, faz um drama... 

Meus pais me ajudaram nesta questão: "você vai deixá-la conosco". Ufa, pelo menos até completar um ano (e passar esse inverno) me tranquiliza saber que ela estará com pessoas de altíssima confiança.

A segunda decisão: colocar uma babá na casa dos meus pais ou deixá-la por conta apenas deles?

Difícil contratar alguém pra cuidar dos nossos filhos. Confiar em uma pessoa e julgá-la capaz de tratar seu bebê como você faz é impossível, simplesmente porque ninguém é igual a mãe. 

Mas é preciso saber decidir, escolher, optar e, principalmente, deixar que seu filho conviva com outras pessoas, conheça outros mundos e também desgrude um pouco de você. Não é fácil, especialmente pra mãe, mas é necessário, principalmente pros dois.

Estamos em fase de testes, vendo como Bia se comporta, como fica apenas com meus pais, se eles dão conta, afinal, tudo fica em função da neta, o que acaba tirando toda liberdade deles.

Pretendo colocá-la numa escolinha sim e sei que vai ser uma outra etapa bem difícil, de muitas dúvidas, choros e preocupações. Mas acredito que a vida inteira agora será assim. E ainda assim tudo terá valido a pena!!!

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